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	<title>adoniran-barbosa &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/adoniran-barbosa/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "adoniran-barbosa"</description>
	<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 10:54:56 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Manter um blog é complicado.]]></title>
<link>http://compassosempasso.wordpress.com/?p=33</link>
<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 19:11:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>deadpigs</dc:creator>
<guid>http://compassosempasso.de.wordpress.com/2008/09/22/manter-um-blog-e-complicado/</guid>
<description><![CDATA[Nunca pensei que manter um blog seria tão complicado.
Ter assunto para escrever todos os dias é pr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca pensei que manter um blog seria tão complicado.<br />
Ter assunto para escrever todos os dias é praticamente impossível. Ainda mais assuntos interessantes que renderiam bons textos.<br />
Só agora estou começando a respeitar os blogueiros. Antes, como mero leitor, ficava puto da vida quando um blog tal não atualizada, quando outro só postava uma coisa, e por ai vai.<br />
Espero que vivendo a vida(dã) normalmente, eu consiga ter coisas interessantes para postar aqui.<br />
Mas então isto não acontece, postarei apenas um vídeo esperto.</p>
<p>O vídeo de hoje é do mestre <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adoniran_Barbosa">Adoniran Barbosa</a>, cantando "Mariposa".<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=HlkJyInsjUg">Clique aqui</a> e aproveite.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Massaroca 26 - Parabéns, Massaroquinha!]]></title>
<link>http://massaroca.wordpress.com/?p=109</link>
<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 01:47:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>Massaroca</dc:creator>
<guid>http://massaroca.de.wordpress.com/2008/08/07/massaroca-26-parabens-massaroquinha/</guid>
<description><![CDATA[
Ele não é lindo? Eu sei que não parece muito com nenhum dos quatro, mas não faz mal, o que impo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://massaroca.files.wordpress.com/2008/08/programa-26.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-110" src="http://massaroca.wordpress.com/files/2008/08/programa-26.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Ele não é lindo? Eu sei que não parece muito com nenhum dos quatro, mas não faz mal, o que importa é que ele é lindo demais. Nem tem cara que tem um ano, né? Dá um beijo nele, vá!</p>
<p>Ó, vê se não se enche demais de comida que depois tem o bolo. Eu vou só na cozinha pra preparar mais vinagrete pros menino e já volto. Ah, fala pro Mário parar de beber que ele tem que dirigir e pras criançada da Giorgette que meu gato não é brinquedo e que ele dá unhada se começarem a judiar dele. Tira mão do bolo, peste dos infernos!</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/Y-85bOYtWTM'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/Y-85bOYtWTM&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p>E semana que vem tem mais, tá bom? Comé que se diz? "Brigado, Padre Anchieta", isso!</p>
<p>Ai, que festa boa, gente!</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Word In Progress]]></title>
<link>http://blogdoalt.wordpress.com/?p=464</link>
<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 17:32:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>andersondoalt</dc:creator>
<guid>http://blogdoalt.de.wordpress.com/2008/08/06/word-in-progress/</guid>
<description><![CDATA[
Saudações, ALTianos e ALTianas. Notícias do fronte.
Quarta-feira. Primeiro post.
Ai ai, meio de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/REjU1A-ug8g'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/REjU1A-ug8g&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p style="text-align:justify;">Saudações, ALTianos e ALTianas. Notícias do fronte.</p>
<p style="text-align:justify;">Quarta-feira. Primeiro post.</p>
<p style="text-align:justify;">Ai ai, meio de semana. Dia de acelerar o ritmo e começar a fechar o próximo <strong>ALT</strong>, sobre o qual falaremos amanhã aqui no blogue. Falando em edição, já está disponível para download a de número 24, que deu o que falar com as duas matérias principais. A do senhor professor doutor Silvio Ricardo Demétrio sobre o <strong>Grateful Dead</strong> e a da Julliane Brita sobre a <strong>Academia Literária Luís Vaz de Camões</strong>, de Cascavel. Baixe e confira.</p>
<p style="text-align:justify;">Prometemos o início da Agenda Cultural esta semana aqui no blogue, mas decidimos esperar terminar o Festival de Teatro de Cascavel, para que não exista seções com o mesmo propósisto separadas. All right?</p>
<p style="text-align:justify;">O video de hoje é mais uma indicação do nosso ilustrador e diagramador Jeferson Richetti. É uma animação chamada <strong>Work In Progress</strong> e é muito (muuuuuuito) legal. É em inglês, mas mesmo que você não domine o idioma, vale a pena ver pelo visual surreal.</p>
<p style="text-align:justify;">***<br />
06/8<br />
- Adoniran Barbosa, compositor; nascimento, em 1910;<br />
- Festival de Cinema de Veneza; primeiro, em 1932;<br />
- Gianfrancesco Guarnieri, ator e dramaturgo; nascimento, em 1934;<br />
- Segunda Guerra; EUA lançam bomba atômica em Hiroshima (100 mil mortes), em 1945;<br />
- Gertrude Ederle torna-se a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha, em 1926;<br />
- Embrafilme; criação, para fomentar o cinema nacional, em 1974;<br />
- Internet; criada a World Wide Web (www), que permitirá acesso à rede no mundo interio, em 1991;<br />
- Jorge Amado, escritor mais popular e mais traduzido da literatura nacional, com 33 livros e 159 versões; morte, em 2001.</p>
<p style="text-align:justify;">***</p>
<p style="text-align:justify;">Até mais.</p>
<p style="text-align:justify;">ALT</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Zona Leste]]></title>
<link>http://diariodamusica.wordpress.com/?p=244</link>
<pubDate>Sat, 02 Aug 2008 18:57:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>rzouain</dc:creator>
<guid>http://diariodamusica.de.wordpress.com/2008/08/02/zona-leste/</guid>
<description><![CDATA[Não era exatamente o Arnesto nem exatamente no Brás, mas hoje foi dia de me aventurar pela ZL para]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Não era exatamente o Arnesto nem exatamente no Brás, mas hoje foi dia de me aventurar pela ZL para buscar <a href="http://www.flickr.com/photos/rzouain/2725245237/" target="_blank">a câmera</a> que ganhei no <a href="http://www.freecycle.org/" target="_blank">Freecycle</a>.</p>
<p><strong><a href="http://www.amazon.com/gp/redirect.html?ie=UTF8&#38;location=http%3A%2F%2Fwww.amazon.com%2FSamba-Do-Arnesto%2Fdp%2FB000TE9ZT4%3Fie%3DUTF8%26s%3Ddmusic%26qid%3D1217703191%26sr%3D8-9&#38;tag=diardamusi-20&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">Adoniran Barbosa - Samba do Arnesto</a><img src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=diardamusi-20&#38;l=ur2&#38;o=1" width="1" height="1" border="0" alt="" style="border:none !important;margin:0 !important;" /></strong></p>
<p><em>O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás<br />
Nóis fumo e não encontremos ninguém<br />
Nóis vortemo cuma baita duma reiva<br />
Da outra veiz nóis num vai mais<br />
Nóis não semos tatu! </em></p>
<p>Agora é testar com os filmes vencidos!</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/plOezZ6936Y'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/plOezZ6936Y&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Me deixa cantar!]]></title>
<link>http://diariodamusica.wordpress.com/?p=187</link>
<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 15:19:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>rzouain</dc:creator>
<guid>http://diariodamusica.de.wordpress.com/2008/07/09/me-deixa-cantar/</guid>
<description><![CDATA[Ontem, #nobkaraoke deixou de ser lenda para acontecer no antigo Magamalabares. Fiquei a noite inteir]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, #nobkaraoke deixou de ser lenda para acontecer no antigo Magamalabares. Fiquei a noite inteira esperando a música que tinha pedido e nada, depois de muito tempo descobri que meu papel tinha ido pro limbo. Mas se lá não me deixaram cantar, mando aqui:</p>
<p><strong><a href="http://www.amazon.com/gp/redirect.html?ie=UTF8&#38;location=http%3A%2F%2Fwww.amazon.com%2FTiro-Ao-Alvaro%2Fdp%2FB000TE8YV4%3Fie%3DUTF8%26s%3Ddmusic%26qid%3D1215616272%26sr%3D8-2&#38;tag=diardamusi-20&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">Adoniran Barbosa - Tiro ao álvaro</a><img src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=diardamusi-20&#38;l=ur2&#38;o=1" width="1" height="1" border="0" alt="" style="border:none !important;margin:0 !important;" /></strong></p>
<p><em>De tanto levar frechada do teu olhar<br />
Meu peito até parece, sabe o que?<br />
Táubua de tiro ao álvaro, não tem mais onde furar<br />
Teu olhar mata mais do que bala de carabina<br />
Que veneno estriquinina<br />
Que peixeira de baiano<br />
Teu olhar mata mais<br />
Que atropelamento de automóver<br />
Mata mais que bala de revórver </em></p>
<p>Aqui na versão clássica com a Elis (e sim, eu achei a animação bonitinha):</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/IKNohlMQbRA'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/IKNohlMQbRA&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Saudosa maloca]]></title>
<link>http://diariodamusica.wordpress.com/?p=149</link>
<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 16:31:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>rzouain</dc:creator>
<guid>http://diariodamusica.de.wordpress.com/2008/06/20/saudosa-maloca/</guid>
<description><![CDATA[Art. 46. Nas locações ajustadas por escrito e por prazo igual o superior a trinta meses, a resolu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Art. 46. Nas locações ajustadas por escrito e por prazo igual o superior a trinta meses, a resolução do contrato ocorrerá findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso.§ 1º Findo o prazo ajustado, se o locatário continuar na posse do imóvel alugado por mais de trinta dias sem oposição do locado presumir-se-á prorrogada a locação por prazo indeterminado, mantidas as demais cláusulas e condições do contrato. § 2º Ocorrendo a prorrogação, o locador poderá denunciar contrato a qualquer tempo, concedido o prazo de trinta dias para desocupação. </em></p>
<p>E é assim que 5 anos vão embora em 3 parágrafos, 10 linhas e 30 dias. Quem consegue se mudar em 30 dias???</p>
<p><strong><a href="http://www.amazon.com/gp/redirect.html?ie=UTF8&#38;location=http%3A%2F%2Fwww.amazon.com%2FDespejo-Na-Favela%2Fdp%2FB00138JYG4%3Fie%3DUTF8%26s%3Ddmusic%26qid%3D1213978100%26sr%3D8-1&#38;tag=diardamusi-20&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">Adoniran Barbosa - Despejo na favela</a><img src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=diardamusi-20&#38;l=ur2&#38;o=1" width="1" height="1" border="0" alt="" style="border:none !important;margin:0 !important;" /></strong></p>
<p><em>Assim dizia a petição:<br />
"Dentro de dez dias quero a favela vazia<br />
E os barracos todos no chão"<br />
[...]<br />
Não tem nada não<br />
Vou sair daqui<br />
Pra não ouvir o ronco do trator<br />
Pra mim não tem problema<br />
Em qualquer canto eu me arrume<br />
De qualquer jeito eu me ajeito<br />
Depois, o que eu tenho é tão pouco<br />
Minha mudança é tão pequena<br />
Que cabe no bolso de trás<br />
Mas essa gente aí<br />
Como é que faz?</em></p>
<p>Descobri meio que sem querer que essa música serviu de inspiração pra uma animação batizada "O Despejo". Não consegui descobrir se já foi lançada ou não, mas <a href="http://www.odespejo.com/" target="_blank">a julgar pelo trailer</a> parece bem legal. E <a href="http://odespejo.blogspot.com/" target="_blank">no blog</a> dá pra acompanhar o diário da produção, muito legal!</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/D8ZBxlSFnjY'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/D8ZBxlSFnjY&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[“São coisas nossas...”]]></title>
<link>http://pinkego.wordpress.com/?p=140</link>
<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 17:13:46 +0000</pubDate>
<dc:creator>Guilherme Salviati</dc:creator>
<guid>http://pinkego.wordpress.com/2008/06/16/noel-rosa-sao-coisas-nossas/</guid>
<description><![CDATA[
“Queria que meus ritmos dominassem, que eletrizassem os músculos, que influíssem definitivament]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pinkego.files.wordpress.com/2008/06/noel-rosa-fumando.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-141" src="http://pinkego.wordpress.com/files/2008/06/noel-rosa-fumando.jpg" alt="" width="278" height="208" /></a></p>
<p><em>“Queria que meus ritmos dominassem, que eletrizassem os músculos, que influíssem definitivamente no movimento das multidões”.</em></p>
<p>Atire a primeira pedra quem nunca sambou – ou ao menos levantou os dedinhos - ao ouvir estes versos feitos em 1929: Com que roupa eu vou?/ Pro samba que você me convidou/ Com que roupa eu vou?<br />
Noel Rosa e Com que roupa? já estiveram em propaganda e no gogó de muita gente boa. Podemos falar de Inácio Guimarães Loyola (1931), MPB-4 (1973), Maria Creuza (1974), Zizi Possi, Gilberto Gil (1991), Ivan Lins (1997), só para citar alguns. Por isso mesmo é tão difícil falar da influência que o compositor carioca exerce em outros artistas.</p>
<p>Começaremos do começo. 1910 é o ano. Dois grandes compositores nascem. Um deles, logicamente, <strong>Noel Rosa</strong>, carioca de Vila Isabel. O outro, um <em>paulista</em> morador do bairro do Bixiga, mais conhecido por suas personagens criadas em inúmeras canções, <em><strong>Adoniran Barbosa</strong></em>. Apesar de separados por quilômetros, suas músicas se alcançaram. Adoniran, por exemplo, teve a oportunidade de ir a um programa de calouros de uma rádio três anos depois de Noel estourar com o samba citado acima, em 1933. Pois bem, o <em>paulista nascido em Valinhos, no interior de São Paulo,</em> estreou cantando um samba de Noel Rosa. E ficou em primeiro lugar.</p>
<p>Não só esta, mas muitos outros sambas de Noel impregnaram os ouvidos dos brasileiros, principalmente cariocas, nos anos 30 do século passado. O estilo do poeta da Vila, como era conhecido, retratava o social, sempre de uma maneira crítica e irônica. Noel Rosa contribuiu para que um novo tipo de samba nascesse, um samba diferente da década de 1920 que era “amaxixado”. Este novo samba vinha do povo, da junção de personagens do bairro de Estácio de Sá e dos morros cariocas. Antes disso havia muito preconceito em relação aos ritmos de origem africana, e tudo o que poderia ter influências da Europa e Estados Unidos era visto com bons olhos.</p>
<p>Noel Rosa não compartilhava deste pensamento, o gosto pela vida boêmia o levou para os lugares mais populares do Rio de Janeiro e o fez conhecer personagens que mais tarde se consagrariam como ícones da cultura popular brasileira, Cartola, por exemplo. Noel ficou conhecido como o principal compositor popular de seu tempo e chegou a ser chamado de filósofo do samba.</p>
<p>Suas composições ecoam até hoje porque ele tratava das amarguras e desventuras do povo brasileiro. Amarguras que foram sentidas novamente com mais força durante a década de 1960, quando suas canções voltaram a brilhar nas vozes de outros intérpretes. No meio tempo entre sua morte e os anos pré-ditadura, o samba em vigor era o ufanista, como podemos verificar em Aquarela do Brasil, de Ary Barroso:</p>
<p><em>Brasil, meu Brasil brasileiro,</em></p>
<p><em>Meu mulato inzoneiro,</em></p>
<p><em>Vou cantar-te nos meus versos...</em></p>
<p>Este tipo de samba ia de encontro com a política da Boa Vizinhança promovida pelos Estados Unidos, que estavam preocupados em fechar alianças com os países da América Latina, de olho nos pontos estratégicos que conseguiria obter durante a II Grande Guerra. O Brasil era exaltado lá fora e por conseqüência os brasileiros se sentiam cada vez mais orgulhosos de suas raízes. Noel morreu antes que esta nova força tomasse conta do país.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Pelas entrelinhas do iê-iê-iê]]></title>
<link>http://pedroalexandresanches.wordpress.com/?p=17</link>
<pubDate>Thu, 15 May 2008 21:32:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Pedro Alexandre Sanches</dc:creator>
<guid>http://pedroalexandresanches.de.wordpress.com/2008/05/15/nos-escaninhos-do-ie-ie-ie/</guid>
<description><![CDATA[A seguir, comentários mais ou menos dispersos, quase aleatórios (dentro da imensa riqueza contida ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">A seguir, comentários mais ou menos dispersos, quase aleatórios (dentro da imensa riqueza contida nas prosaicas caixinhas de plástico e papel), sobre os 25 CDs da coleção <em>Ídolos da Jovem Guarda</em>, recém-lançada sob os rótulos Rhino e Warner Music Brasil<em>. S</em>ob orientação do pesquisador Marcelo Fróes, a série traz de volta do semi-esquecimento títulos originais de artistas dos pelotões intermediários do "movimento" (ainda faz sentido usar essa expressão?, algum dia fez?) de "música jovem" (?...) que tomou conta do Brasil ao longo, sobretudo, da década de 1960, sob apelidos tão variados quanto rock'n'roll, hully gully, twist, iê-iê-iê, jovem guarda... E são estes os tais:</p>
<p style="text-align:left;"><em><strong><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/wilson-miranda-12.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-46" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/wilson-miranda-12.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a>Veneno</strong> </em>(1959), Wilson Miranda - Imediatamente notável do LP de estréia desse cantor paulista é a capa, adornada por uma misteriosíssima figura feminina envolta por panos - veneno? Apresentado como "primeira estrela" da gravadora Chantecler, Wilson Miranda enfileira beguines, sambas e sambas-canção, mais um rock, dois rocks-baladas e um calypso-mambo. O recanto é o da música comercial, potencilamente popular, num momento de evidente indefinição sobre os rumos que o "sucesso" musical iria trilhar nos anos 1960, sob a égide de Jânio, depois de Jango, logo de truculenta "junta" militar. Prova de que ainda eram imprecisos os limites e barreiras entre gêneros musicais beligerantes, ou entre camadas incompatíveis de públicos-alvo: um dos arranjadores/diretores musicais de tão ligeiro LP é o denso maestro Guerra Peixe, também autor da melodia do samba-canção <em>Vontade de Enlouquecer</em>.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/wilson-miranda-21.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-47" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/wilson-miranda-21.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em>Sambas - Rocks </em></strong>(1960), Wilson Miranda - O LP de 48 anos atrás é um pinote para quem, em 2008, ainda acredite que o rock é o pior inimigo do samba, ou vice-versa, ou coisa semelhante. Os dois gêneros dividem o disco meio a meio, um lado da velha bolacha destinado aos sambas, outro lado aos rocks. No primeiro segmento, justapõem-se de Tito Madi a Erlon Chaves. No segundo, o bonde da história foi mais ou menos generoso com <em>Bata Baby</em>, uma versão em português para o rock fundador <em>Long Tall Sally</em>, que ganharia sobrevida em 1976, ao ser incluída na trilha de saudosismo precoce da novela global <em>Estúpido Cupido</em>.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius11.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-49" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius11.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a>Ídolo da Juventude </em></strong>(1962), Demetrius - A Continental o apresenta, neste seu segundo LP, como "o maior ídolo de nossa juventude", "o cantor nacional que conseguiu alcançar, junto aos 'brotos', popularidade semelhante aos ídolos 'importados'". Se até eram marcantes a estampa e a voz do rapaz (ouça-se, por exemplo, <em>Cinderella</em>, de Paul Anka, em inglês mesmo), sustento mesmo à frívola afirmação do texto era dado pelas fotos de capa e contracapa, nas quais o então versionista carioca de rocks gringos aparecia imerso dentro de multidões femininas fervorosas. Mas o frisson por parte de fãs mocinhas e redatores de contracapa era transitório: no imaginário brasileiro ainda não existia, então, a figura de um moço chamado Roberto Carlos.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/demetrius-22.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-24" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius-22.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em>Dem<a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/demetrius-2.jpg"></a>etrius </em></strong>(1963), Demetrius - Com <em>Blue Suede Shoes</em>, de Carl Perkins, no idioma original. E com <em>Bye-Bye, Love</em>, do repertório da dupla fundadora The Everly Brothers, transformada em<em> Tchau, Tchau, Bem</em>. E Roberto Carlos vinha vindo, estava para chegar de vez. Nota de ausência: a coleção não abrange, infelizmente, o disco seguinte de Demetrius, <em>O Ritmo da Chuva </em>(1964), cujo carro-chefe era a reluzente faixa-título, um dos principais <em>standards </em>romântico-roqueiros dos derradeiros minutos anteriores ao <em>boom </em>da jovem guarda à la Roberto-Erasmo-Wanderléa.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/giane-1.jpg"><em><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-23" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/giane-1.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></em></a></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Esta É Giane - A Voz Doçura </em></strong>(1964), Giane - A pronúncia italianada dos erres era típica velha-guarda, e a paulista Giane, nascida numa fazenda em Ribeirão Preto, estaciona aqui nalgum ponto intermediário entre o comércio à antiga e o mercadão pop nascente da "música jovem", em quindins infanto-juvenis como a versão de <em>Dominique </em>(de Soeur Sourire): <em>Dominique, nique, nique, sempre alegre, esperando alguém que possa amar/ o seu príncipe encantado, seu eterno namorado, que não cansa de esperar</em>. Aos ouvidos de hoje, soa menos infanto-juvenil que infanto-infantil, mas Dominique termina a canção condoída, punida, <em>nique, nique, nique, sempre triste a chorar o amor que se acabou</em>.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/giane-2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-25" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/giane-2.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Giane </em></strong>(1965), Giane - <em>Preste Atenção</em>, versão para <em>Fais Attention</em> (de J.L. Chauby e Bob du Pac), abre o LP em feitio de dramalhão. Sempre com um pé em lancha "jovem" e outro em canoa "antiga", Giane parece nesse momento mais determinada a pular de corpo inteiro na segunda embarcação. Os vocais infantis de rotação acelerada, tipo Pato Donald, de <em>Eu Não Posso Namorar </em>podem soar vexatórios a ouvidos de 2008. Mas não custa lembrar que, em 1961, também eram usados num disco de "brotolândia" por uma adolescente gaúcha chamada Elis Regina.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/giane-3.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-26" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/giane-3.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Suavemente </em></strong>(1965), Giane - "Suavemente"? Não, dramas, draminhas e dramalhões como <em>Se Eu Pudesse Encontrar Você</em> ou <em>15 Primaveras </em>não autorizam o mimoso advérbio que titula o LP. Notas curiosas sobre a instabilidade e a incerteza no imaginário musical de Giane: a) a presença do sambão <em>Lago da Felicidade</em>, de Lúcio Cardim e Nello Nunes; b) a regravação lamuriosa (e emprestada de vozes solenes como a de Maysa) da toada acaipirada de Adoniran Barbosa <em>Bom-Dia, Tristeza</em>, com versos pré-bossa nova de mr. Vinicius de Moraes. Era 1965, Roberto Carlos já mandava tudo para o inferno.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/os-vips-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-27" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/os-vips-1.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Os Vips</em></strong> (1965), Os Vips -  É o primeiro título da coleção que se poderia classificar tipicamente como de "jovem guarda" ou "iê-iê-iê". Os irmãos paulistas Ronald e Márcio Antonucci (futuro diretor musical da Globo) traziam à "música jovem" um quê de dupla caipira, mas já sob o formato (sedimentado por Renato e Seus Blue Caps, na CBS) da paráfrase subtropical dos Beatles (<em>Things We Said Today</em>, por exemplo, vira <em>Coisas Que Acontecem</em>, e ajuda a denunciar, se quiséssemos ouvir o recado, como Beatles eram, desde a origem, adoravelmente tolinhos). O sucesso romântico vem da lavra de Roberto &#38; Erasmo Carlos (nos tempos idos em que a dupla ainda compunha hits pop para terceiros), e canta em corinho que <em>eu queria/ pedir pra você ficar/ mas a voz não me saiu/ e eu não pude nem falar</em>. Quinze anos mais idosa que o clássico fox-carlista <em>Emoções</em>, a cançoneta chama-se <em>Emoção</em>.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/joelma-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-28" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/joelma-1.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Joelma </em></strong>(1966), Joelma - Afora garotas coquetes como Wanderléa, Lilian, Vanusa e poucas outras, a seção feminina do iê-iê-iê era mais povoada pelo dramalhão, pelo vozeirão impostado e pelo romantismo exacerbado que fazia diversas mocinhas soarem bem mais velhas do que de fato eram. Nascida capixaba em Cachoeiro do Itapemirim (e conterrânea, portanto, de Roberto Carlos), Joelma surgiu como uma arrebatada entre as arrabatadas, tal qual testemunha a fúria épica de <em>Furacão </em>(ou <em>Thunberball</em>, no original de John Barry e Don Black).</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/marcos-roberto-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-29" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/marcos-roberto-1.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Marcos Roberto </em></strong>(1966), Marcos Roberto - Esse moço de olhos claros (onde foi parar aquele menino?) oferece o primeiro exemplo de modernidade sonora (para os padrões iê-iê-iê, veja bem) dentro da série <em>Ídolos da Jovem Guarda</em>. Composições dele com Dori Edson (<em>Agora É Tarde</em>, <em>Indiferença</em>, <em>Menina Sonho</em>), de Aladim <em>(Canção do Amor Perdido)</em> ou do futuro sertanejo Sérgio Reis (<em>Vá Embora Daqui</em>, <em>Fim de Sonho</em>) procuram se sintonizar com os padrões pop elevados fixados por Erasmo &#38; Roberto. Mas a presença deste <em>Marcos Roberto </em>na coleção vem dar idéia precisa de como era mesmo a gravadora CBS a casa-mãe da jovem guarda, e de como outros selos, como Continental e Chantecler, tinham de correr esbaforidos atrás da própria desatualidade.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/os-vips-2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-30" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/os-vips-2.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><em><strong>Os Vips </strong></em>(1966), Os Vips - Roberto e Erasmo continuam a sustentar, mais ou menos à distância, a viabilidade pop-comercial d'Os Vips. O sucesso rockaipira da vez <em>é A </em>Volta<em>: Estou guardando o que há de bom em mim/ para lhe dar quando você chegar</em>... (Curiosamente, Roberto não deixou as canções dadas aos Vips integrarem seu próprio repertório à época, e só pôs-se a gravá-las recentemente, já em anos 2000.) As limitações (até mesmo em termos de ambição) dos Vips tornam-se nítidas em faixas como <em>Para Quem Sabe Amar</em>, uma tentativa atravessada na garganta de converter ao português do petardo funk<em> Land of 1,000 Dances </em>, gravado em som de trovão por nomes do soul áspero tipo Stax como Wilson Pickett.</p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius3.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-50" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius3.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a>O Ídolo Que Volta </em></strong>(1967), Demetrius - Em minha opinião, é disparado o grande título desta coleção, a começar do carro-chefe, a ferina <em>Não Presto, mas Te Amo, </em>ofertada em 1967 para Demetrius (mas também para o romântico José Roberto) por... Roberto Carlos. Egresso da pré-jovem guarda, Demetrius procura aqui se adaptar ao andar da carruagem, polindo pequeninas calotas de polpudo iê-iê-iê, feito a adorável <em>Que Me Importa </em>e, mais simbólica, quase metalingüística, a levemente sacudida <em>Tudo Tem Seu Fim</em>. Quitute metafórico é também <em>Inveja </em>, assinada por Daniel Jr., e portadora de formulações como <em>sou legal e dizem que eu não presto/ inveja, inveja ou</em> <em>falam mal da mocidade/ inveja, inveja</em>. Mais cruciais (e compartilhados por artistas das mais variadas extrações naquele momento de radicalidade) são os sentimentos por trás de versos reativos como os seguintes: <em>O mundo está virado e já não posso compreender/ a mulher foi feita da costela e hoje é quem manda no marido dela</em>. Provavelmete, já era tarde demais para Demetrius ser Roberto Carlos.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/os-vips-31.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-45" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/os-vips-31.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a>Os Vips </em></strong>(1967), Os Vips (<strong>*</strong>) - No derradeiro LP da dupla na vigência da jovem guarda, Erasmo Carlos fica sozinho na missão de dar alicerce ao sucesso d'Os Vips: <em>Faça alguma coisa pelo nosso amor/ não deixe a saudade nele acontecer/ não deixe que nenhum de nós venha a sofrer/ faça alguma coisa pelo nosso amor</em>... O texto é de romance açucarado, mas a baladinha icônica se chama <em>A </em>Despedida, e prenuncia involuntariamente a desagragação do "movimento" jovem guarda e o encerramento do programa-símbolo homônimo na TV Record. </p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/os-brasas.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-32" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/os-brasas.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Os Brasas</em></strong> (1968), Os Brasas - Esses, apesar de efêmeros, deixaram um legado inventivo, embora amplamente desconhecido. A pegada gaúcha do iê-iê-iê d'Os Brasas é audível em versões como <em>A Distância </em>(<em>Oriental Sadness</em>) ou originais como <em>Beija-Me Agora </em>(do futuro "ídolo" romântico Márcio Greyck) e uma série de rocks assinados pelo Brasa Luis Vagner com Tom Gomes. O primeiro se tornaria virtuose do samba-soul, celebrado em canção suingada por Jorge Ben <em>(Luis Vagner Guitarreiro</em>)<em>,</em> e o segundo, jornalista musical. Um outro integrante d'Os Brasas, Franco Scornavacca, lançaria um LP solo quente de samba-rock em 1978 (<em>Franco</em>, com o sensacional <em>O Rock do Rato</em>, de Hélio Matheus), mas se notabilizaria dos anos 80 em diante como empresário de duplas sertanejas e pai dos integrantes do trio pop adolescente KLB. Embora imaturas, as composições de Vagner e Gomes em <em>Os Brasas </em>servem de ponto de partida para uma linhagem de canções inspiradas (e sempre obscuras) que eles criaram a partir daí em clave soul, samba-soul, samba-rock etc., para artistas como Wilson Simonal, Ronnie Von, Tony &#38; Frankye, Leno &#38; Lilian, Deny &#38; Dino, Vanusa, Antonio Marcos, Eliana Pittman e muitos outros.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius4.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-51" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/demetrius4.jpg?w=94" alt="" width="94" height="95" /></a>Viver por Viver </em></strong>(1968), Demetrius - A "volta" do "ídolo" não teve êxito comercial no Brasil pós-jovem guarda e pós-Roberto Carlos, e Demetrius recuou, logo em seguida, a um álbum predominantemente romântico e choroso, e em grande medida ocupado por traduções do veterano versionista e homem de gravadoras Nazareno de Brito. Um toque curioso fica por conta da lírica loa acaipirada <em>Carro de Boi</em>, do próprio Demetrius, em que o artista parecia testar se projetar para outra (e ousada) direção.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/joelma-2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-33" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/joelma-2.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Muito Mais </em></strong>(1968), Joelma. <em>Todas falam bem do Jo-Jo/ todas querem muito ao Jo-Jo/ só não sabem que ele é o meu bonitão</em>, canta Joelma, com vozeirão à la Angela Maria ou Dalva de Oliveira, em versão de nonsense involuntário, criada por Nazareno de Brito para um original de Alan Moorhouse, David Gold e Gordon Rees, chamada, er, <em>Jo-Jo</em>. Num tempo em que a tática perdia em prestígio, o combustível de Joelma continua sendo dado pelas versões de sucessos de autores "around the world", como Armando Manzanero, Roger Greenaway, Gilbert Bécaud e Memo Remigi.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/reginaldo-rossi-1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-34" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/reginaldo-rossi-1.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>O Quente </em></strong>(1968), Reginaldo Rossi - Dono de voz áspera, agreste, o pernambucano Reginaldo Rossi iniciou trajetória como um sério e compenetrado seguidor do iê-iê-iê conforme formatado por Roberto Carlos. Lançado quando o próprio RC já desembarcara da onda, este terceiro LP (os dois anteriores, infelizmente, permanecem inéditos em CD) insiste na fórmula, com momentos afiados como <em>O Valentão </em>(seriam um alfinete agressivo dirigido a Erasmo Carlos versos como <em>era um moço alto/ muito forte, bonitão/ as moças da cidade/ o achavam tremendão/ mas tinha a mania/ de ser muito valentão/ e vai acabar na prisão</em>?). O golpe de mestre de Reginaldo aconteceria vários anos mais tarde, quando ele desistisse de parecer fulano ou sicrano e se consumasse como o originalíssimo "rei" irreverente do "brega" que se tornou.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/sergio-murilo-1968.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-35" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/sergio-murilo-1968.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Sergio Murillo </em></strong>(1968), Sergio Murillo - Príncipe da primeiríssima fase do rock'n'roll brasileiro, ao lado da princesa Celly Campello, o carioca Sergio Murillo brilhou com <em>Broto Legal </em>(1960), mas cedo foi suplantado pela avalanche iê-iê-iê. Em 1966, ensaiou uma volta por cima que, neste LP do alucinado 1968 já deriva para a dissolução, em temas melancolicamente saltitantes como <em>A Felicidade</em>, <em>Comemorações</em> e <em>A tramontana</em>, todos eles versões deslocadas num tempo em que Roberto e Erasmo já corriam a 200 quilômetros por hora atrás de rocks, souls e baladas de punho próprio.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/joelma-1969.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-36" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/joelma-1969.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Casatschok - La Maritza - Aqueles Tempos </em></strong>(1969), Joelma - O mar já não es´tava mais para peixe: o tom do texto na contracapa da terceira vinda de Joelma é queixoso, ao denunciar (talvez não sem certa dose de razão) "o preconceito contra versões" no Brasil. Lamúrias e razões à parte, a cada vez mais derramada cantora insistia nas versões, e ia a extremos mais ou menos desabitados pela anglofilia popular brasileira, como na impagável versão para <em>Casatschok</em>, do russo Boris Rubaschkin. Como assim?, música "popular" russa em solo tropical, nos minutos estrondosos pós-AI-5?...</p>
<p style="text-align:left;"><strong><em><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/sergio-murillo-1969.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-37" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/sergio-murillo-1969.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></em></strong></p>
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<p style="text-align:left;"><strong><em>Sergio Murillo </em></strong>(1969), Sergio Murillo - Outro título particularmente interessante na coleção, a derradeira tentativa do "broto legal" nos anos 1960 soa menos nervosa e mais plácida que o LP anterior, como atestam temas tristes, mas quase discretos, como <em>Tanta Chuva em Meu Caminho </em>(de Nenéo). Transparece a busca talvez tardia de encontrar soluções extra-iê-iê-iê, como se nota na fofa toada caipira <em>As Estradas</em>, de Tom Gomes e Luis Vagner, ou em temas de futuros cantores soul dos anos 70, como o pernambucano Paulo Diniz (a automobilística <em>Jaguar Especial</em>, truque mais que atrasado de criar um <em>O Calhambeque </em>para Murillo), o carioca Hélio Matheus (o incrível country-western<em> A Diligência</em>, composto em parceria com o prócer da velha-guarda Klécius Caldas) e o argentino abrasileirado Fábio (<em>Lia Não Existe</em>, <em>Ordem Geral</em>).</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/martinha-1974.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-38" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/martinha-1974.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
<p style="text-align:left;"> <strong><em>Como Antigamente </em></strong>(1974), Martinha - "Queijinho de Minas" trazido(a) para o sucesso em 1967 por Roberto Carlos (que lançou, avulsa, sua <em>Eu Daria Minha Vida</em>), Martinha encetou a partir dali a trajetória de uma cantora essencialmente tristonha, persona ainda predominante neste disco de sete anos mais tarde, em que sobressaem fossas como as de <em>Erros e Defeitos</em>, <em>Eu Era Você </em>e <em>Sua Foto na Parede do Meu Quarto</em>, todas parcerias com Milton Carlos (irmão de Isolda, autora de <em>standards </em>robertocarlistas como <em>Outra Vez</em>, de 1977). Todas são elaborações ainda mais deprimidas do romantismo álacre do Roberto Carlos dos anos 70. Nas curvas do tempo, é curioso matutar em como a canção de fossa de Dolores Duran evoluiu para a bossa nova, e em como, no reverso do espelho pop, a jovem guarda faceira redundou na canção de fossa de Martinha. E em como, de quebra, a cantora com o tempo foi desaparecendo, para dar lugar a uma mais tarde milionária compositora de bastidor de inúmeros sucessos de duplas sertanejas. Detalhe interessantíssimo: nos anos 60 belo-horizontinos, Martinha morava no mítico Edifício Levy, núcleo originador do Clube da Esquina, e era amicíssima do compositor Márcio Borges (vide a reportagem <a href="http://pedroalexandresanches.blogspot.com/2008/03/um-clube-semi-invisvel.html" target="_blank">O clube imaginário</a>).</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/rosemary-1974.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-39" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/rosemary-1974.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
<p style="text-align:left;"> <strong><em>Rosemary </em></strong>(1974), Rosemary - O iê-iê-iê romântico da carioca Rosemary também sofreu transmutações quando os anos 1960 se transformaram em 1970. O registro tendeu ao pastoso, mas não no sentido deprimido de Martinha - Rosemary aflorou nos 70 como estrela lânguida, sensual, linda à maneira de alguma musa-fetiche de Serge Gainsbourg. O pique em geral é o da derretida <em>Quero Ser Amada</em>, e a segurança de Rosemary como cantora duela com o derramamento por vezes excessivos das canções (<em>eu quero ser a sua dona de casa</em>, diz a faixa citada, composta por Solange Corrêa e Vera Lemos). Em vez da faceta de estrela na passarela da Mangueira, também pertencente a Rosemary, aparece a de cantora de fossa, como na versão de arranjo soul-funk para <em>A Noite do Meu Bem</em>, de Dolores Duran.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/vanusa-19741.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-41" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/vanusa-19741.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/vanusa-1974.jpg"></a></p>
<p style="text-align:left;"><strong><em>Vanusa </em></strong>(1974), Vanusa - Chega a parecer uma regra: estrela pós-adolescente do momento de virada do iê-iê-iê em black music brasileira, no intervalo 1968-1971, a paulista Vanusa se converteu, nos 70, num cantora mais ou menos híbrida de fossa &#38; fossas. O momento máximo dessa vertente, aqui, acontece na mui dramática <em>Sonhos de um Palhaço</em>, do então marido Antonio Marcos, que encontra linda e melancólica expressão na capa circense e enrubescida do LP. Para lá da fossa, mas ainda dentro dela, Vanusa se espraia entre composições próprias (a forte <em>Você Depende</em>), presente dos irmãos bossa-soul Marcos e Paulo Sérgio Valle <em>(Momentos de Amor</em>) e aparição do ultrapop Peninha <em>(Coisas de Você</em>)<em>,</em> mais a <em>Súplica Cearense </em>de Gordurinha e Nelinho e o <em>Alumiou </em>de experimentalíssimo Hermeto Pascoal. Outro momento elevado da coleção.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/rosemary-1976.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-42" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/rosemary-1976.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
<p style="text-align:left;"> <strong><em>Rose Rose Rosemary </em></strong>(1976), Rosemary - A sexy Rosemary em versão meio Broadway, meio Marquês de Sapucaí, num tortuoso concerto dirigido pelo hiperbólico Abelardo Figueiredo. De Cole Porter (<em>Just One of These Things</em>), ela pula para a <em>Exaltação à Mangueira</em>, assim como pulula entre <em>Esta Tarde Vi Llover</em>, de Armando Manzanero, <em>Esse Cara</em>, de Caetano Veloso, <em>Feelings</em>,<em> </em>de Morris Albert, e <em>Voltei pro Morro </em>de Vicente Paiva e Luiz Peixoto. A presença constante de fundo, embora em versão tendente ao kitsch por outros e menos vibrantes atalhos, é a falsa baiana-portuguesa-carioca-norte-americana Carmen Miranda.</p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://pedroalexandresanches.files.wordpress.com/2008/05/renato-e-seus-blue-caps-19871.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-44" src="http://pedroalexandresanches.wordpress.com/files/2008/05/renato-e-seus-blue-caps-19871.jpg?w=96" alt="" width="96" height="96" /></a></p>
<p style="text-align:left;"> <strong><em>Baton Vermelho </em></strong>(1987), Renato e Seus Blue Caps - Trata-se de um título extemporâneo na coleção este disco tardio do carioca Renato Barros com seus Blue Caps. Posterior a todas as febres, seja a do iê-iê-iê, seja a do pop-rock tipo Blitz dos anos 80, seja a do pop-balada tipo Roupa Nova ou Rádio Táxi na mesma época, <em>Baton Vermelho</em> funde elementos desses vários blocos de rocks em sua textura. À parte o teor engraçadinho bem anos 80 (mas bem mais moralista) de <em>Unissex Total</em> , o velho espírito Beatle ainda prevalece, em rocks ingênuos da estirpe de <em>Julia</em>.</p>
<p style="text-align:left;">(*) O leitor <strong>Arival Botelho Filho</strong> fez uma correção a esse tópico, está disponível na caixa de comentários abaixo.</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Encontro inesquecível de Adoniran Barbosa e Elis Regina]]></title>
<link>http://sampameulugar.wordpress.com/?p=198</link>
<pubDate>Thu, 08 May 2008 16:30:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Roberto Sena</dc:creator>
<guid>http://sampameulugar.de.wordpress.com/2008/05/08/encontro-inesquecivel-de-adoniran-barbosa-e-elis-regina/</guid>
<description><![CDATA[
Adoniran e Sampa, sua eterna moradia.
No ano desse encontro sequer meus pais pensavam em minha exis]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://sampameulugar.wordpress.com/files/2008/05/adoniran-barbosa.jpg" alt="" width="455" height="340" class="alignnone size-full wp-image-199" /><br />
<em>Adoniran e Sampa, sua eterna moradia.</em></p>
<p>No ano desse encontro sequer meus pais pensavam em minha existência, o ano era 1978. Na mesa do antigo Bar da Carmel, no bairro do Bexiga, em Sampa encontravam-se nada menos do que Adoniran Barbosa e Elis Regina fazendo uma canja, cantando as canções  "Iracema", "Um samba no Bexiga" e "Saudosa Maloca"(veja vídeo no fim do artigo).</p>
<p align="justify">Quem não faz a mínima idéia de quem seja essas duas figuraças da nossa música vamos lá. Primeiro quero falar de Adoniran. Ao escutar sua voz é realmente de arrepiar. Adoniran, ou João Rubinato, nasceu Valinhos, no interior de São Paulo. O cara era multi-uso, pois além de cantor, era compositor, ator e humorista. Mesmo tendo nascido em terras paulistas, seus pais, imigrantes italianos, eram de Cavárzere, província de Veneza.</p>
<p align="justify">O grupo Demônios da Garoa interpretou suas composições, que aliás, imortalizam diversos bairros de Sampa, como o Brás (Samba do Arnesto), Jaçanã (Trem das Onze), Bixiga (Um Samba no Bixiga) e a Avenida São João (Iracema). Em 23 de novembro de 1982 Adoniran nos deixou.</p>
<p><img src="http://sampameulugar.wordpress.com/files/2008/05/elis-regina.jpg" alt="" width="455" height="341" class="alignnone size-full wp-image-200" /><br />
<em>Elis. Mais uma imortal de nossa música.</em></p>
<p align="justify">Elis Regina. Outra personalidade de nossa música que até hoje deixa saudades. Sabe aquela história que quando uma pessoa de idade falece, seu parceiro ou parcera vai logo em seguida? Bem, esses dois aqui não eram um casal, mas a coincidência e a proximidade das datas de falecimento dos dois é algo pra se pensar. Elis foi-se em 19 de janeiro de 1982. Saiba um pouco mais sobre esse artista inesquecível <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adoniran_Barbosa">clicando aqui</a>.</p>
<p align="justify">Elis nasceu em Porto Alegre em 17 de março de 1945, e de aos onze anos de idade já cantava em um programa de rádio da época. Apelidada de <em>Pimentinha</em> pelo poeta-compositor Vinicius de Moraes pelos Machado de Carvalho (donos da TV Record de São Paulo). Enfim, o intuíto desse artigo não é ser um Wikipédia, por isso deixou essa função à cargo do mesmo. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Elis_Regina">Clique aqui</a> e saiba mais sobre Elis.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/Ea5nMXIRxQM'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/Ea5nMXIRxQM&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Esse samba é das moças]]></title>
<link>http://pedroalexandresanches.wordpress.com/?p=15</link>
<pubDate>Mon, 05 May 2008 21:14:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Pedro Alexandre Sanches</dc:creator>
<guid>http://pedroalexandresanches.de.wordpress.com/2008/05/05/esse-samba-e-das-mocas/</guid>
<description><![CDATA[Da &#8220;CartaCapital&#8221; 493, de 30 de abril de 2008.
O samba das moças
POR PEDRO ALEXANDRE SA]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Da "CartaCapital" 493, de 30 de abril de 2008.</p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong>O samba das moças</strong></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A história é excêntrica sob vários ângulos. São oito mulheres entre os 20 e os 40 anos, várias delas mestiças de origens diversas, algumas delas de visual "moderno" à moda de roqueiras ou <em>clubbers</em>. E cantam samba, samba de raiz, vinculado à tradição que parte de Ary Barroso, Ataulfo Alves e Adoniran Barbosa e fazem parada orgulhosa no relicário feminino de compositoras como Dona Ivone Lara, Leci Brandão e Jovelina Pérola Negra. Formado em São Paulo há cinco anos, o octeto Samba de Rainha completa um imaginário heterogêneo com um rol extenso de sambas de punho próprio, que ocupam a maior parte do recém-lançado segundo CD, <em>Vivendo Samba</em>.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A história foi se erguendo meio à revelia, a partir de encontros informais e amadores entre participantes que trabalhavam, originalmente, com arquitetura, fisioterapia, moda, marketing... A vocalista principal, Núbia Maciel, resume o imponderável que ronda o Samba de Rainha: “A idéia não era ser um grupo, nem de meninas, nem de samba”. Mas logo vieram sessões em espaços alternativos de São Paulo, como Vermont Itaim (onde o grupo ocupa até hoje as matinês de domingo), Traço de União, Bar Brahma, palcos de periferia e até a praça da Sé.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">No início deste ano, os portões do Sesc Pompéia tiveram de ser fechados para barrar a pequena multidão que tentava entrar além da lotação do espaço. Lá dentro, uma platéia tão miscigenada e heterogênea quanto o grupo cantava em coro todos os sambas, fossem de Dorival Caymmi, Paulo Vanzolini, Benito di Paula, Zeca Pagodinho, Teresa Cristina ou composições próprias. “Até hoje não sei bem quem era o público daquela noite”, reconhece Núbia com certo espanto. Em fevereiro, o grupo partiu para uma série de oito shows em Portugal, mais um na Inglaterra.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Diante do êxito sempre crescente, a maioria delas abandonou os empregos de origem e tenta viver de samba. “Vive-se, mas na corda bamba”, afirma a vocalista. Houve algum assédio por parte de figuras carimbadas da indústria musical, mas, cordas bambas à parte, o grupo preferiu até agora permanecer independente. “O produtor Arnaldo Saccomani nos procurou, mas queria mudar tudo, fazer um disco de pagode. A gente não quis”, diz Núbia, fluminense interiorana de Teresópolis (“nasci na roça mesmo”) entrosada entre uma maioria de paulistas.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Embora reconheça o octeto como um caso único na música brasileira (com a exceção parcial das não-compositoras Frenéticas, nos anos 70), ela afirma que o Samba de Rainha não empunha bandeiras feministas. Mas abre uma brecha ao lembrar a origem do nome do conjunto. “Pensamos em Samba na Cozinha, Samba de Saia... Mas queríamos exaltar as mulheres, íamos colocá-las na cozinha de novo? Cantamos Clara Nunes, Beth Carvalho, Jovelina, Leci, homenageamos as rainhas do samba.”</span></p>
<p> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Quinteto multicor]]></title>
<link>http://pedroalexandresanches.wordpress.com/?p=10</link>
<pubDate>Tue, 01 Apr 2008 17:32:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Pedro Alexandre Sanches</dc:creator>
<guid>http://pedroalexandresanches.de.wordpress.com/2008/04/01/quinteto-multicor/</guid>
<description><![CDATA[




E, encerrando o ciclo Jair Rodrigues-Quinteto em Branco e Preto, segue a reportagem publicada n]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:14pt;"></span></span><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:14pt;"></span></span><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:14pt;"></span></span><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:14pt;"></span></span></p>
<div><span style="font-family:Times New Roman;"></p>
<div><span style="font-size:14pt;"></span></div>
<p></span></div>
<p><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:14pt;"><span style="font-size:small;"></p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left">E, encerrando o ciclo Jair Rodrigues-Quinteto em Branco e Preto, segue a reportagem publicada na <em>CartaCapital</em> 489, mais uma transcrição da entrevista com Magnu Sousá, que a originou.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left">(E comentários sobre Jair, sobre o Quinteto, alguém se habilita?, alguém ouviu?...)</p>
<p style="line-height:15.6pt;"><strong>SÃO PAULO PEDE PASSAGEM</strong></p>
<p style="line-height:15.6pt;">“Quinteto em Branco e Preto não é nem o samba carioca, nem o paulista”, tateia nas definições Magnu Sousá, paulistano de 33 anos, um dos cinco integrantes do conjunto em atividade desde 1997. “O samba paulista, segundo os estudiosos, é mais interiorano, vem do Vale do Paraíba, é o samba de bumbo, da terra, tradicional”, elenca.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">De fato, o samba urbano do Quinteto não se ajustaria bem às definições habituais, e as origens e rotas dos rapazes explicam as razões. “Eu e Maurílio, os dois pretinhos, vínhamos de Santo Amaro. Os três branquinhos, de São Mateus. O Quinteto começou quando nos encontramos nas rodas de samba do Boca da Noite, ali na rua Santo Antônio”, Sousá rememora o trajeto entre os bairros periféricos e a casa de shows que funcionou no Bexiga, região central da capital.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">Foi no Boca que conquistaram uma madrinha carioca, Beth Carvalho, e o trampolim para uma carreira sólida que desemboca no elegante CD <em>Patrimônio da Humanidade </em>(Trama). Nesse meio-tempo, estiveram à frente da criação da Comunidade Samba da Vela, descendente indireta do Boca localizada na periferia, e com preocupação especial de fazer o samba paulista avançar e se renovar.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">Ali, conquistaram até adesões de baluartes do samba carioca, como conta Sousá: “Os mais velhos, quando vão ao Samba da Vela, falam que é parecido com o começo das agremiações. Monarco disse que lembra o início da Portela, Nelson Sargento falou que estava se sentindo na Mangueira de outrora”.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">Em <em>Patrimônio da Humanidade</em>, as composições novas, quase sempre de punho próprio, atestam que o Quinteto teve de reinventar o samba paulista a partir de referenciais cariocas como Candeia, Bezerra da Silva, Martinho da Vila, Fundo de Quintal, e daquilo que Sousá classifica como um “currículo invisível”. “É algo que a gente tem, mas não sabe de onde veio.” Na reinvenção, tiveram de contornar a hegemonia radiofônica do pagode ultracomercial dos anos 90. “O que estava acontecendo era o pagode moderno, mas para a gente não rolava. Não levávamos jeito”, diz, sem negar autenticidade à outra turma: “Quando o Negritude Jr. canta samba sobre a Cohab, é samba de raiz, da raiz deles, pô”.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">E o currículo invisível se materializa, em 2008, não só no CD próprio, mas num projeto paralelo, em que a gravadora Trama entregou ao Quinteto a produção do disco <em>Jair Rodrigues</em><em> em Branco e Preto</em>, do mais expansivo e atuante dos sambistas paulistas. Com eles, Jair faz, aos 69 anos, um passeio heterogêneo por subgêneros do samba paulista, em que cabem samba-enredo, samba-rock, uma composição do pai de Magnu e Maurílio (Gilberto Alves, o “Xique-Xique”) e <em>Migração</em>, homenagem dos dois irmãos ao pai nordestino, com participação de Dominguinhos.</p>
<p style="line-height:15.6pt;">No solo fértil do álbum do nem sempre reconhecido Jair, assoma, aqui e ali, uma atmosfera rural, acaipirada, o elo perdido (ou melhor, reencontrado) entre a urbanidade do Quinteto em Branco e Preto e as origens interioranas “invisíveis” estudadas nos livros e nas rodas por Sousá e parceiros.-POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left">Agora, a entrevista:</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>Pedro Alexandre Sanches</strong><strong>:</strong> Você poderia fazer uma retrospectiva da história do Quinteto, desde o começo?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>Magnu Sousá:</strong> O Quinteto em Branco e Preto começou em 1997, numa casa de São Paulo chamada Boca da Noite. A gente era muito molequinho e dava um pulo Boca da Noite para ver aqueles negos véios tocarem.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Onde ficava o Boca da Noite?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Ficava ali na rua Santo Antônio, no centrão. Os dois pretinhos vinham de Santo Amaro, de ônibus (<em>são Maurílio Oliveira, cavaquinho e voz, e ele, pandeiro e voz</em>) <em>,</em> e os três branquinhos vinham de São Mateus, de metrô (<em>Everson Pessoa, violão e voz, Vitor Pessoa, surdo e voz, e Yvison Pessoa, percussão e voz</em>). E a gente se conheceu ali no Boca. Entre uma roda de samba e outra, o dono, Wilson Sucena, acabou apresentando uns para os outros. A gente se conheceu e começou a trabalhar na noite. Já trabalhávamos em alguns lugares, mas isoladamente. Numa determinada noite Beth Carvalho chegou lá e nos batizou como Quinteto Café com Leite.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Então Beth batizou vocês, mas com esse outro nome?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Não, é que dois anos depois fomos registrar esse nome e não podia, porque o nome já era marca de um grupo, acho que um grupo de forró do Nordeste, Banda Café com Leite, uma coisa assim. Nesse ínterim, fomos gravar um programa-piloto para a CPC-Umes, que era nossa gravadora na época do primeiro disco. Por coincidência, veio Beth Carvalho gravar, já fazia um tempo que a gente não via ela. Ficamos quase três anos sem ver a madrinha. Quando reencontramos a madrinha, falamos que não dava para usar aquele nome, por causa do resistro. Ela falou: “E agora, como vou chamar vocês no programa?”. “Ô, madrinha, a gente não sabe.”</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Chamavam ela mesmo de madrinha, desde essa época?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, sempre chamamos de madrinha. Na hora do programa, o rapaz entrevistou a Beth, ela: “Estou aqui com meus afilhados, esse conjunto maravilhoso, o Quinteto...”. Aí olhou assim para o lado e disse, de improviso: “...Quinteto em Branco e Preto”. Aí ficou esse nome. Naquela noite estavam fazendo uma homenagem ao Boca da Noite, que já tinha acabado fazia tempo, numa casa da Consolação, e por coincidência aparecemos nós e a Beth lá. Ela falou no microfone: “Hoje acabo de rebatizar o grupo, tantos anos depois do Boca da Noite, como Quinteto em Branco e Preto”.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Como era o Boca da Noite, o ambiente, o que acontecia lá?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Era uma casa em que rolava roda de samba, música popular brasileira da melhor qualidade. Era muito parecido com o Villaggio Café. São duas casas contemporâneas, o Villaggio sobreviveu as décadas de 90 e 2000, e o Boca não resistiu. Por lá passaram Nelson Cavaquinho, Djavan, Filó Machado, toda aquela leva da MPB. Era mais eclético, aberto à música mesmo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> O que atraiu vocês, que eram mais da periferia, para aquele lugar?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Acho que foi por causa da boa música, né? A gente sempre ouviu boa música em casa, minha família é de músicos. Meu pai é músico, os outros meninos também são de uma família ligada a música e poesia. Na época, acontecia o pagode mais moderno, era uma realidade, mas com a gente não rolava, porque a gente não levava jeito, nunca levou jeito. Embora fôssemos muito novos na época, na febre do pagode, mesmo assim com a gente não rolava. Então quando eu, particularmente, descobri o Boca da Noite, fiquei encantado, pela roda de samba, aquele povo todo cantando os sambas mais antigos. Convivi muito também porque meu pai, quando eu era garotinho, me levava para as boates, onde rolava boa música. Quando vi o Boca, me senti como quando era bem garotinho, meu pai levava às boates e me deixava na cozinha. Não podia nem ficar no recinto.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Histórias de hoje em dia, como a Comunidade Samba da Vela, são de algum modo uma continuação ou uma evolução daquilo?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Não, o Samba da Vela eu nem sei explicar muito, por que a gente fundou... Porque os mais velhos, quando vão ao Samba da Vela, falam que é muito parecido com os redutos de samba do começo das agremiações. Monarco foi lá e falou: “Pô, parece a Portela no começo”. Nelson Sargento falou: “Nossa, estou me sentindo na Mangueira de outrora, daquele tempo em que era pouca gente”. Era muito legal, porque as pessoas iam no intuito de se divertir, o entretenimento de forma geral, e tinha a coisa séria do samba, da música, da cultura. Hoje em dia já não tem muito mais isso em escola de samba.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Mas vocês aprenderam um pouco disso em lugares como o Boca da Noite. Ou não?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Na realidade o Boca é mais a roda de samba em si, a malandragem da roda, de perceber a noite, os compositores, como se portar. Fomos aprendendo essas coisas. Mas o Samba da Vela é uma coisa mais intuitiva, como se estivéssemos fazendo algo que a gente não viveu, mas aprendeu intuitivamente. É aquela coisa do currículo invisível, mesmo, que as pessoas têm e não sabem de onde vem.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Currículo invisível, você disse?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, uma coisa interessante. Existe um currículo que as pessoas têm, mas determinadas coisas não dá para a gente descrever. Se vou falar, por exemplo, do Osvaldinho da Cuíca, ele de repente é uma pessoa diplomada, formada, e tudo, mas ele viveu o samba, conviveu a vida inteira. Esse currículo é invisível, né? E é muito importante.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> É interessante o relato de que gente como Monarco e Nelson Sargento se identifica, porque eles são do Rio, de uma cultura e uma cidade totalmente diferentes de São Paulo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, o samba tem essa coisa, né? A gente tem essa escola. No caso do Quinteto, somos o único grupo de São Paulo que fez turnê acompanhando Beth Carvalho, acompanhando todos esses sambistas. Não é que a gente aprendeu as coisas todas com eles, não. Já vem de berço, porque o samba proporciona isso em qualquer lugar do mundo. A família que é tradicional do samba é característica, embora tenha um sotaque diferente na Bahia, em São Paulo, no Rio, em outros estados também. Cada um faz um samba diferenciado, mas o samba é uma linguagem só. As pessoas acabam se identificando e se reconhecendo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> O que você diria se fosse explicar que tipo de samba o Quinteto faz, ao longo de todos os discos que lançaram?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Olha, as pessoas acabam dando nomenclatura para tudo, mas acho que o Quinteto não é nem o samba carioca, nem o samba paulista.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Nem o paulista (<em>espantado</em>)?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, porque, o samba paulista, segundo as pessoas que estudam e se aprofundam no samba daqui, é uma cultura mais interiorana, que vem do Vale do Paraíba, aquela coisa de Tietê, o samba de bumbo, aquela coisa mais da terra, supertradicional. Se, por exemplo, você vai para a Bahia, tem o Recôncavo Baiano, que é outro sotaque, a chula, aquelas coisas. No Rio de Janeiro, é o samba carioca, uma mistura do samba baiano com características que eles têm lá. São três coisas diferentes. E a gente é de São Paulo, e a linguagem do paulista é diferente, né? Então temos a linguagem do paulista e um pouco do sotaque carioca também, e um pouco a coisa da Bahia também. São as referências do que a gente ouvia. Embora tivéssemos em São Paulo Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa, a gente não teve eles como referência. Por quê? Por causa do rádio. Hoje tenho 33 anos, e eu, na periferia, quando tinha 6, 7 anos, lembro que ouvia muito Partido em Cinco na favela, na periferia, na quebrada.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Partido em Cinco que é carioca, não?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, carioca. Ouvia muito Candeia, Bezerra da Silva e Martinho da Vila, que era o que tocava muito nas periferias de São Paulo. Adoniran não tocava.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Por que será, você sabe?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Então... O rádio, a gravadora...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Santo de casa não faz milagre...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, e a gente não tem essa referência, essa é que é a grande verdade. No meu caso fui ter a referência de Adoniran Barbosa em casa, por causa do meu pai, que era músico, conhecia Adoniran, Jorge Costa, Geraldo Filme, Talismã, essa turma. A gente tinha alguns discos de Jorge Costa, Geraldo Filme, Osvaldinho da Cuíca e Demônios da Garoa. Mas se pegar a massa, a periferia de modo geral não teve esse acesso, de poder ouvir a música paulista, as referências paulistas. A gente não teve, a gente ouviu muito no rádio Clara Nunes, Beth Carvalho...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> E como era sua relação com esse samba carioca chamado de fundo de quintal, Zeca Pagodinho e companhia?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Ah, acho que o fundo de quintal é a maior referência do samba para o Quinteto e para todos os grupos e comunidades. Eu, particularmente, acredito que o samba tem várias fases que nem sei enumerar, mas uma fase muito importante é o surgimento da Beth Carvalho. Porque, quando Beth chegou, ela fez a ponte dos antigos com os novos que são contemporâneos dela. Então veio revelando um monte de gente nesse período, e uma das revelações foi o grupo Fundo de Quintal. A partir do momento em que eles passaram a fazer parte do cenário musical, começaram a reverenciar os antigos e a fazer a mesma coisa, a ponte dos que estão vindo, nós inclusive. Eu tive a felicidade de ouvir Beth Carvalho antes do Fundo de Quintal, mas, quando ouvi ela, conheci todos aqueles outros compositores. Martinho foi uma fase, depois veio Beth, uma fase muito importante do popular, da coisa do povo mesmo, porque tem Paulinho da Viola, que é um grande sambista, mas não tão popular. Beth tem isso, a coisa do povo, até mais que Clara e Alcione, sem discutir o trabalho, mas de popularidade.<strong>PAS:</strong> Leci Brandão também faz essa ponte, não?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Leci faz, mas principalmente com relação à negritude, de segurar a onda. Alguém tem que levantar uma determinada bandeira. Embora Leci seja um pouco criticada por levantar muita bandeira, ela é muito importante por isso. Beth levanta muito a bandeira do samba, e ensinou para a gente que, pegando o disco dela, conhecemos Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Candeia, Geraldo Filme, fulano, beltrano... Por intermédio dela a gente conheceu a Velha Guarda da Portela, da Mangueira... E por intermédio dela conhecemos também Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Arlindo Cruz... Ela é muito importante.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Vocês costumam compor grande parte do repertório. Há a preocupação de apresentar mais compositores paulistas, o samba paulista? Sei que o disco novo tem músicas do Nei Lopes, do Edil Pacheco, mas a maioria é de São Paulo mesmo, não?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> A gente tem a preocupação de fazer valer um espaço que ficou vazio por muito tempo. Sem querer fazer uma crítica, mas uma observação, acho que os veículos de comunicação ajudaram nisso, de certa forma, depois daquela frase do nosso querido Vinicius de Moraes de que “São Paulo é o túmulo do samba”. A mídia valorizou muito essa frase, né? E isso fez com que o samba de São Paulo estagnasse um pouco. Durante um bom tempo, a gente tem uma lacuna. Depois de Osvaldinho da Cuíca, Germano Mathias, Zeca da Casa Verde, Talismã, Geraldo Filme, o que tem um destaque maior é Adoniran Barbosa. Depois de Adoniran e Geraldo, se não me falha a memória, não consigo visualizar mais ninguém...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> E Geraldo Filme, assim como a maioria, não chegou a ficar conhecido fora de São Paulo, no resto do Brasil.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Exatamente. Ficou essa lacuna muito grande, a agora conseguimos visualizar o Quinteto e, através do Quinteto, todas essas comunidades, e os sambistas que vão surgir, se tiverem a oportunidade de a mídia divulgar. Então a gente tem a preocupação de cantar os autores daqui, não para fazer afronta com nada, mas para valorizar mesmo. Se a gente pegar na música popular brasileira hoje, se tirar de São Paulo a Rita Lee, quem tem, estourado na mídia no Brasil? Ninguém. É um ou outro, muito isoladamente – os baianos, os cariocas, os mineiros lá com o corporativismo deles de Skank e aquela galera, alguns de Brasília, e mais ninguém. São Paulo não tem ninguém. Do samba, então, nem pensar... Dá a impressão de que São Paulo é proibido de ter artista de samba. Santa Catarina tem tanto sambista, cara. No disco, a gente dá um alô, um salve, para todas as comunidades do samba de São Paulo, do Rio, Santa Catarina, Ceará, Minas, Rio Grande do Sul... Tem muita gente, a gente não tinha noção da importância que essas comunidades todas dão para o Quinteto, por intermédio do Samba da Vela, do Berço do Samba de São Mateus e outras coisas que estão surgindo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Dentro do panorama do samba paulista que você traçou, não podemos esquecer Jair Rodrigues, que, por sinal, está trabalhando com o Quinteto em Branco e Preto.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Exatamente. Sempre falo que Jair é o canga, aquela figura que está em todos os segmentos. Ele é esse cara, um figuraça, um grande ícone da música, acima de muito questionamento. Ele contribuiu muito para a música popular brasileira, né?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Mas não é muito reconhecido, de forma geral...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, não é. Mas, olha, a contribuição que Jairzão deu é muito forte. Deveria ser mais reconhecido, acho que ele é assim um Ray Charles para nós aqui no Brasil, da mesma forma de Dona Ivone Lara é uma Ella Fitzgerald. Esses artistas deviam ser reconhecidos, estar naquele glamour, quando tem um Oscar tinham que estar Jair Rodrigues, Dona Ivone, Nelson Sargento, Xangô da Mangueira...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> E como foi produzir um disco do Jair?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Foi maravilhoso. Foi espetacular. A gente fica meio intimidado, né?, de às vezes chegar no Jair e falar alguma coisa, porque ele é um mito. A gente fica meio assim de chegar numa pessoa como ele, tão grande quanto um Paulinho da Viola, um Martinho da Vila.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Não só chegar como orientar um disco dele...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Então, e ele deixou a gente super à vontade, “vocês é que mandam na história”. Deu os palpites que tinha que dar, a gente deu os nossos. Depois de um tempo escolhendo repertório, a coisa ficou mais aberta, mais espontânea, e aí foi só risada o tempo todo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Como foi escolhido o repertório? Ele mesmo, ou vocês interferiram bastante?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> A gente sugeriu, tanto é que tem uma música minha no disco dele, <em>Migração</em>, que eu e meu irmão Maurílio fizemos para o nosso pai, que veio do Nordeste. E tem uma relação muito grande com <em>Disparada</em>, do Geraldo Vandré, que Jair gravou. Inclusive Vandré foi ao estúdio.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> É mesmo? E aí?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Foi, foi. Foi muito legal ver Geraldo Vandré, ele é mito, a gente fica ouvindo falar dele na escola. Daqui a pouco você encontra o cara na sua frente, “o cara tá aí!”...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> No caso dele, é um mito misterioso, além de tudo...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Misteriosíssimo. A gente foi almoçar com ele depois, ele não fala muito. É meio reservadão. Mas foi fantástico, porque a música que a gente fez, <em>Migração</em>, fala que o retirante veio do sertão, chegou aqui, não deu certo e voltou. <em>Disparada </em>é o contrário.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Vocês fizeram um pouco pensando em <em>Disparada </em>mesmo?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Fizemos, mas nem imaginávamos que o Jair fosse gravar um dia. É uma pessoa relatando, dizendo que veio do sertão, passou por maus bocados aqui, não deu certo, voltou.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Não detectei isso no disco de vocês, mas do Jair tem música de Luis Vagner, Bedeu, o pessoal do chamado samba-rock de São Paulo. Tem <em>Eu Vou Só</em>, que é bem samba-rock, tem essa mistura.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Exatamente. A gente sugeriu ao Jair que fizesse um disco com as pessoas que são contemporâneas dele, e alguns compositores novos também, mas que o disco fosse bastante eclético no sentido do samba, que tivesse todos os estilos de samba. Jairzão é muito ligado em tudo. Por que não um samba-rock, um samba-enredo? Tem uma seleção de sambas-enredo que algumas pessoas jamais gravariam, um samba do Paulistinha, de Nenê de Vila Matilde, misturado com outro do Zé Di, da Vai-Vai, e um do Império Serrano, do Rio. E tem samba da Comunidade Samba da Vela, <em>Toda Maria</em>, do Azambuja, um compositor que está esquecido, numa cadeira de rodas, teve um derrame. Meu pai, que é músico, compôs um samba, estávamos lá no dia, “pai, bota aquele samba lá”. Jair: “Que samba bonito, vou gravar”. Gravou o samba.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Qual é? MS: É <em>Depois Chorei</em>, meu pai é Gilberto Alves, o Xique-Xique. É músico, conhece o Jair, mas não tinha aquela ligação, e Jair acabou gravando. Muito legal, foi uma grande experiência. Uma coisa muito legal foi na hora de Jair colocar a voz. Foi gravada simultaneamente com o coro, o que é difícil acontecer hoje em dia. Geralmente as pessoas gravam o couro, depois o artista vai lá e põe a voz. Ficou gravado em estúdio, mas a voz ficou meio ao vivo, todo mundo cantando junto, saca?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Por que no disco de vocês não tem tanto essa mistura com samba-rock e outros tipos de samba, como no do Jair?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Acho que é porque é mais específico, mais do gênero. Eu, por exemplo, componho samba-rock, tive um gravado pela Alcione em 2005. samba-rock é uma cultura paulista, uma coisa muito sofisticada. Me emocionei vendo o documentário no DVD dos Racionais MC’s, é demais. Retrata o que era a periferia, os bailes black e tal. A gente, sendo do samba, aqui em São Paulo, não tem jeito. Quem é crioulo não tem como ficar, “ah, sou tradicional do samba”, porque é uma mentira. Os pais, os avós, todos eles dançaram nostalgia, samba-rock. Todos vêm daquela cultura também, não dá para ficar naquela coisa de se fechar no tradicionalzão. No nosso disco não tem samba-rock e outras vertentes por causa de estilo mesmo. No disco do Jair rolou, foi uma experiência.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Em geral, transparece como se fosse uma rivalidade mesmo, o samba e o rap, ou o samba e o pagode mais moderno, como você falou antes. Sempre ficam turmas separadas, mas no fundo, pelo que você está falando, não é bem assim...</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> Não, não é. Falam samba de raiz para separar do samba novo, mas eu caracterizo o samba de raiz como ligado às raízes mesmo. Não é a forma como é gravado ou composto. Quando Negritude Jr. canta samba da Cohab, <em>to chegando na Cohab</em>, é um samba de raiz. Estão falando do lugar deles, do que são eles, e isso é válido para qualquer gênero. Todos os sambas cantados na Comunidade da Vela são de raiz, independe do estilo.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Mas, pensando em São Paulo, existe mesmo uma rivalidade entre, por exemplo, samba e rap?<strong>MS:</strong> Acho que não, nem com o samba moderno nem com o antigo. Nos discos do Negritude Jr., por exemplo, os Racionais participam. No disco do Consciência Humana, o Quinteto participa, com Beth Carvalho. A faixa é o maior barato, homenageando o Pato n’Água, da Vai-Vai, numa comparação com um amigo deles que foi morto pela polícia. Pediram para que a gente cantasse o refrão, <em>silêncio, o sambista está dormindo</em>. A gente fez isso misturado com rap, ficou superbacana, rolou bem, a gente cantando samba, e eles, rap. O Quinteto não é muito a favor de mistura, de misturar os gêneros, rap com samba, aquela batida misturada. Acho que aí perde para os dois lados. Se o Consciência Humana me chama para ir cantar um rap, eu não sei cantar rap, vou lá e canto um samba no rap. Acho que é mais legal, que dignifica mais os dois gêneros. Não é que a gente é contra, a gente evita fazer mistura de batidas.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> Isso na música do Quinteto, você diz?</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>MS:</strong> É, na nossa música. Não que a gente critique qualquer outro artista que faça. A gente tocou com Fernanda Porto, maravilhosa, ela mistura samba com drum’n’bass, e tem uma verdade dela. Só que, se fosse para o Quinteto fazer, não ia rolar.</p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"><strong>PAS:</strong> O que você está dizendo é que pode, sim, misturar, mas cada um ficando na sua, sabendo de sua especialidade? MS: É, exatamente. A gente até está fazendo um projeto no Sesc, chamado <em>Quem Não Canta Samba</em>, é o quinteto com Célia e com Zélia Duncan, e Zélia vai cantar samba. Pode ser que na hora ela peça para misturar, a gente não vai chegar e dar uma de radical. De repente acontece, no mundo da música tudo é possível. Rivalidade acho que não existe. O que vejo que o pessoal do hip-hop não gosta é algo de que a gente não gosta também, é muita baixa qualidade, essa pornografia toda que rola. Hip-hop faz crítica, o samba também faz, de uma forma mais bem humorada, mas rola muita promiscuidade. Tenho filhas que ouvem vários gêneros aí, alguns são meio complicados para uma criança. E as coisas entram na casa da gente, né? E se a gente fala qualquer coisa, as pessoas já acham que a gente é preconceituoso. Está meio complicado o mundo de hoje para se expressar, embora tenhamos uma democracia. Todo mundo fala, mas ao mesmo tempo é “pô, mas você falou mal de mim”. </p>
<p style="line-height:15.6pt;" align="left"> </p>
<p> </p>
<p></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Adoniran Barbosa - Coletânea]]></title>
<link>http://bigearflux.wordpress.com/?p=512</link>
<pubDate>Thu, 14 Feb 2008 16:00:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Pedro</dc:creator>
<guid>http://bigearflux.de.wordpress.com/2008/02/14/adoniran-barbosa-coletanea/</guid>
<description><![CDATA[Pra passear por outros campos, um brinde às nossas festas de faculdade e aos familiares que aplicam]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Pra passear por outros campos, um brinde às nossas festas de faculdade e aos familiares que aplicam boa música aos netos:</p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://bigearflux.wordpress.com/files/2008/02/adoniran.jpg" alt="adoniran.jpg" /></div>
<p align="justify"><font color="#999999">"Filho de imigrantes italianos, João Rubinato sempre esteve na graça de todos, homem de amizade fácil e contador de histórias nato, passou a utilizar o nome artístico de Adoniran Barbosa, pois achava que seu nome de cartório não era próprio para sambista. Por meio de seus sambas, construía com maestria histórias que retratavam o cotidiano das ruas de uma São Paulo que ainda crescia.<br />
Infelizmente Adoniran foi mais um entre tantos artistas com um talento sem precedentes que acabou não recebendo o reconhecimento merecido. A voz rouca e arrastada iluminava os botecos da capital paulista com canções que até os cariocas reverenciavam como único verdadeiro samba de São Paulo. Muitas de suas canções se eternizaram na voz de outros grandes cantores, músicas como Tiro ao Álvaro, Iracema, Trem das Onze, entre outras." <a href="http://ouro-de-tolo.blogspot.com/2007/12/adoniran-barbosa.html" target="_blank">Fonte</a></font></p>
<p><b><i><a href="http://www.mediafire.com/download.php?1xmdj2mxv9h" target="_blank"><b><i>Adoniran Barbosa – Cd 1</i></b></a></i></b></p>
<p><font color="#ff9900"> Músicas:<br />
01. Abrigo de Vagabundo<br />
02. Tiro ao Álvaro<br />
03. Bom Dia Tristeza<br />
04. As Mariposas<br />
05. O Casamento de Moacir<br />
06. Saudosa Maloca<br />
07. Iracema<br />
08. Trem das Onze<br />
09. Prova de Carinho<br />
10. Acendo o Candeeiro<br />
11. Apaga o Fogo Mané<br />
12. Véspera de Natal<br />
13. Deus Te Abençoe<br />
14. Viaduto Santa Efigênia<br />
15. No Morro da Casa Verde<br />
16. Vide Verso Meu Endereço<br />
17. Torresmo à Milanesa</font></p>
<p><b><i><a href="http://www.mediafire.com/download.php?8t8n23glmmu" target="_blank"><b><i>Adoniran Barbosa – Cd 2</i></b></a></i></b></p>
<p><font color="#ff9900">01. Fica Mais um Pouco Amor<br />
02. Triste Margarida (Samba do Metrô)<br />
03. Despejo Na Favela<br />
04. Pafunça<br />
05. Samba do Arnesto<br />
06. Conselho de Mulher<br />
07. Joga a Chave<br />
08. Tocar Na Banda<br />
09. Malvina<br />
10. Não Quero Entrar<br />
11. Samba Italiano<br />
12. Mulher, Patrão e Cachaça<br />
13. Agüenta a Mão João<br />
14. Vila da Esperança<br />
15. No Morro do Piolho<br />
16. Já Fui Uma Brasa </font></p>
<p><b><i></i></b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><a href="http://www.mediafire.com/download.php?1xmdj2mxv9h" target="_blank"><b><i><br />
</i></b></a></p>
<p align="justify">&#160;</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[7_für_sieben]]></title>
<link>http://parallel2.wordpress.com/2007/10/11/7_fur_sieben-5/</link>
<pubDate>Thu, 11 Oct 2007 10:24:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>parallel2</dc:creator>
<guid>http://parallel2.de.wordpress.com/2007/10/11/7_fur_sieben-5/</guid>
<description><![CDATA[In dieser Woche gibt&#8217;s sieben, wirklich hörenswerte brasilianische Platten-Tipps - von Bossa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>In dieser Woche gibt's sieben, wirklich hörenswerte brasilianische Platten-Tipps - von Bossa Nova über Reggae bis Samba.</p>
<p><strong>Donnerstag:</strong> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=D8ZBxlSFnjY" title="Adoniran Barbosa">Adoniran Barbosa, "Demônios da Garoa"<br />
</a><strong>Freitag:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=FTHX3ZPu-mA" title="Caetano Veloso">Caetano Veloso, "Caetano Veloso (1968)"<br />
</a><strong>Samstag:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=Pds6StLDYqw" title="Ponto de Equil�brio">Ponto de Equilíbrio, "Abre a janela"</a><br />
<strong>Sonntag:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=ql-VMk71yy8" title="Os Mutantes">Os Mutantes, "Os Mutantes"</a><br />
<strong>Montag:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=9pvTx2bC5oY" title="Simone">Simone, "Gotas D'Água"</a><br />
<strong>Dienstag:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=ZdVoU0F8wHY" title="Milton Nascimento">Milton Nascimento, "Paixão e fé"</a><br />
<strong>Mittwoch:</strong> <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=T-eePCuyuu8" title="Moreno Veloso">Moreno Veloso, "Máquina de escrever música"</a></p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/9pvTx2bC5oY'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/9pvTx2bC5oY&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[453 anos, parabéns São Paulo!]]></title>
<link>http://prosaico20mg.wordpress.com/2007/01/25/453-anos-parabens-sao-paulo/</link>
<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 13:03:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Celinho</dc:creator>
<guid>http://prosaico20mg.de.wordpress.com/2007/01/25/453-anos-parabens-sao-paulo/</guid>
<description><![CDATA[Procurando base de pesquisa para um texto em homenagem aos 453 anos da cidade de São Paulo, encontr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Procurando base de pesquisa para um texto em homenagem aos 453 anos da cidade de São Paulo, encontrei muitas coisas. Muitos clichês, textos desatualizados e fotos de arquivo. Nenhum artigo sobre a minha cidade é, ou um dia vai ser, definitivo. Letras de canções exaltando a beleza e a feiura de São Paulo existem aos montes. Nos 450 anos, data especial, espécie de jubileu onde todos se lembraram de tirar uma casquinha da capital paulistana, diversos livros foram editados, com fotos magnificas e textos ainda melhores. Ponto positivo para as datas comemorativas onde os elogios rasgados servem de mote para que boas lembranças sejam desenterradas do fundo do bau.<br />Ja li que ser paulistano é vantagem apenas para paulistanos. No resto do pais é handicap. Não ouso começar uma discussão sobre o que é ser paulistano. Teria milhares de respostas e nenhuma definitiva, ja que o caldeirão onde se fundou São Paulo é o seu principal triunfo e o seu principal sumidouro.<br />Cada região de Sampa - sou de casa, posso ter intimidades - tem o seu fervor, a sua identidade, o que os americanos chamaram de melting pot e na capital paulista pode ser chamada de riqueza cultural. Japoneses, italianos, portugueses, judeus, libaneses, turcos, alemães, gregos, espanhois, franceses, e todas as religiões ganharam a sua vida no ritmo de um relogio que passou a trabalhar cada vez mais rapido, numa sociedade que cresceu sem medo e sem medida.<br />Hoje, a cidade, cheia de defeitos, resultado de uma ausência de senso de urbanismo que envergonharia o antigo prefeito Prestes Maia, tem muitos reflexos. Alguns sombrios e outros mais luminosos que fazem com que, ao mesmo tempo, critiquemos e que nos arrepiemos com certos simbolos que são so de São Paulo - para a nossa sorte e para o nosso azar.</p>
<p><span style="font-style:italic;">"No relogio da Paulista/quatro horas da manhã/Ta chegando no Ceasa/outra caixa de maçã/Ta chovendo pra chuchu/la no Anhangabau/As pessoas vão correndo em vão/pra avenida São João/No relógio da Paulista/Cinco horas da manhã/Tá chegando no Ceasa/Outra caixa de maçã/A aurora já raiou/Me intrometo no metrô/Na ladeira da Consolação/Sobe e desce condução/Meu amor, meu coração/Araçá, que horas sãoNo relogio da Paulista/São seis horas da manhã/Ta chegando no Ceasa outra caixa de maçã"</span></p>
<p>Essa musica, de Passoca e Guca Domenico, é uma pequeno extrato da vida paulistana, que também é a São Paulo dos Racionais, de Rita Lee, do Ira!, e de muitos outros compositores que, de diversas partes do Brasil, descobriram na cidade um mote e um tema para amar e odiar. Mas o mais singelo de todos talvez seja João Rubinato, também conhecido entre nos pelo pseudônimo de Adoniran Barbosa. Em homenagem aos 453 anos de Sampa, transcrevo uma historia que ocorreu com Adoniran quando trabalhava na Radio Record ha quase 30 anos e resolveu pedir aumento para o seu chefe:</p>
<p><span style="font-style:italic;">Chefe: É verdade, você tem que ser aumentado pois ganha muito pouco. Vou lhe aumentar (Era uma quinta-feira). Vou estudar o seu caso. Volte na segunda-feira que lhe darei uma solução.</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">Na segunda-feira seguinte, lá estava Adoniran.</span><br /><span style="font-style:italic;">Chefe: Não esqueci. Estou estudando o caso. Volte na sexta-feira.</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">Adoniran voltou ao chefe na sexta-feira combinada.</span><br /><span style="font-style:italic;">Chefe: Não esqueci não. É que andei muito ocupado, não tive tempo, mas estou estudando o seu caso. Fique tranqüilo. Vou lhe dar aumento. Estou estudando... Volte na semana que vem.</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">E na semana seguinte:</span><br /><span style="font-style:italic;">Chefe: Não pude fazer nada ainda. Mas pode deixar que estou estudando seu caso. Volte na segunda-feira que vem.</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">Adoniran voltou na segunda-feira:</span><br /><span style="font-style:italic;">Chefe: Estou estudando. Volte na quarta-feira.</span></p>
<p><span style="font-style:italic;">Na quarta-feira:</span><br /><span style="font-style:italic;">Chefe: Estou estudando. Venha na terça...</span><br /><span style="font-style:italic;">Adoniran interrompe:</span><br /><span style="font-style:italic;">- Faz o seguinte: vai estudando... quando chegar a sua formatura me avise..</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA["Nóis viemos aqui pra bebê ou pra conversá?"]]></title>
<link>http://quartopiso.wordpress.com/2006/05/30/nois-viemos-aqui-pra-bebe-ou-pra-conversa/</link>
<pubDate>Tue, 30 May 2006 06:01:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Eduardo Viveiros</dc:creator>
<guid>http://quartopiso.de.wordpress.com/2006/05/30/nois-viemos-aqui-pra-bebe-ou-pra-conversa/</guid>
<description><![CDATA[A mem&oacute;ria de Adoniran Barbosa ganha resid&ecirc;ncia fixa hoje, a partir das 20h, no MIS, aqu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>A mem&#243;ria de <strong>Adoniran Barbosa</strong> ganha resid&#234;ncia fixa hoje, a partir das 20h, no <strong><a target="_blank" href="http://www.mis.sp.gov.br/" title="MIS">MIS</a></strong>, aquele museu que tem uma programa&#231;&#227;o &#243;tima, mas que ningu&#233;m nunca fica sabendo.</p>
<p>O acervo, que est&#225; nas m&#227;os do Estado h&#225; mais de vinte anos, j&#225; passou por diversos lugares - o &#250;ltimo, dentro do <a target="_blank" href="http://www.teatrosergiocardoso.sp.gov.br/index.html" title="Teatro S&#233;rgio Cardoso"><strong>Teatro S&#233;rgio Cardoso</strong></a>. Agora sob a placa <strong>&#34;Espa&#231;o Adoniran Barbosa&#34;</strong>, uma sala no t&#233;rreo do museu abriga exposi&#231;&#227;o multim&#237;dia e &#34;vitrines expositivas&#34; (s&#243; visitando pra saber o que isso quer dizer). O grosso do material - discos, partituras, fotografias... - acaba incorporado ao acervo do lugar, escondido mas aberto a consultas.</p>
<p>R$ 70 mil &#233; o or&#231;amento declarado para o espa&#231;o, financiado pela <strong><a target="_blank" href="http://www.ambev.com.br/" title="Ambev">Ambev</a></strong> (conglomerado dono da marca <strong>Antarctica</strong>, cerveja que j&#225; teve Adoniran como garoto-propaganda, com o bord&#227;o que d&#225; t&#237;tulo a este texto), que fez quest&#227;o tamb&#233;m de reformar o bar do museu.</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
